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Uma bebida:Coca-cola
Um prato:comida mineira
Uma Cidade:Natal (RN)
Um País:Brasil
Um Lugar:Campinas
Uma Palavra:Amor
Hobby:Informática
Diversão:Viajar
Detesto:Mentira
Adoro:Honestidade
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Necessário:Fraternidade
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Trabalho:Uma Paixão
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"Mesmo você não me vendo, estarei te olhando. Mesmo não te tocando, estarei te sentindo. E por onde você estiver passando estarei te seguindo. Nos teus olhos eu me vejo. Com teu sorriso eu me encanto. No teu corpo está o meu desejo. Em tua alma os meus sentidos...!"
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005



Meu endereço mudou. Quem quiser me visitar será muito bem recebido. O novo endereço é o seguinte:

http://www.todosossentidos.blogger.com.br


Os versos que te fiz




Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(Florbela Espanca)


rabiscado por ana_pe - 11:11:05 -
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terça-feira, 15 de novembro de 2005
Pin-Ups: a sexualidade permitida


Quando o nu feminino ainda era considerado um tabu, surgiram nos Estados Unidos as pin-ups, modelos desenhadas em cartões, calendários e maços de cigarro. Até hoje, as garotas mexem com o imaginário dos homens

No final do século 19, o teatro de revista vivia o seu auge e transformou dançarinas em estrelas, fotografadas para revistas, anúncios, cartões e maços de cigarros, mas foi somente na década de 40 que começaram a dominar não apenas a imaginação dos homens, mas também as portas dos armários e as paredes dos quartos de milhares de admiradores dessa nova onda de "sexualidade permitida".

Foi justamente esta a origem do nome pin-up: o ato de pendurar as ilustrações em algum lugar.

Na Segunda Guerra Mundial eram carinhosamente chamadas de "a arma secreta", usadas para acalmar os anseios dos pracinhas nas frentes de batalha. Numa época em que mostrar as pernas era atitude subversiva, fotografias de mulheres nuas poderiam significar atentado ao pudor.

O jeito de satisfazer a solidão dos soldados e a curiosidade dos adolescentes era fabricar modelos de lápis e tinta, que reproduziam o padrão de beleza considerado ideal: seios fartos, pernas grossas, cinturinha de pilão. Acabaram se tornando uma espécie de troféu pela guerra vencida.

Depois, com os avanços do cinema o termo pin-up acabaria se difundindo e transformando, passo a passo o que viria a ser em nossos dias, a grande indústria do sexo.

Desenhadas ou fotografadas, as garotas invadiram o planeta com suas poses sensuais porém, sem vulgaridade. Com formas generosas, elas não enfrentavam as pressões da magreza nem a conseqüente anorexia. Elegantes, elas ocupavam seus espaços numa linha entre o ingênuo e o diabólico, trajando duas peças, meias-calça e corpetes com decotes enormes.

O conceito clássico de uma pin-up é ser sexy e ao mesmo tempo inocente, estar vestida, mas em alguma posição ou situação que revele sensualmente partes do corpo, sem querer, por acaso.

Só isso já era suficiente para alimentar a fantasia masculina. Uma verdadeira pin-up jamais pode ser vulgar ou oferecida, pode somente ser convidativa.

Nos anos 70, com a banalização do nu em revistas e filmes pornográficos, as meninas de papel perderam força. Foram substituídas por mulheres de carne e osso. Mas desde o final da década de 90, as pin-ups voltaram a mexer com a libido masculina por resgatarem um importante elemento do fetiche: o mistério.

Musas de várias gerações, as pin-ups ainda hoje são cultuadas por adoradores do estilo além, é claro, de serem muitas vezes imitadas afinal, são sempre uma ótima referência no mundo da moda, no cinema, nos traços, nos trejeitos e em tudo que diz respeito à sensualidade

A musa loura ( Marylin Monroe) perdia em popularidade para a ruiva Rita Hayworth, a número dois na lista da preferência dos soldados da Segunda Guerra. Uma foto da eterna Gilda vestida com camisola transparente foi transformada em desenho e invadiu os acampamentos.

Nem Marilyn nem Hayworth, porém, conseguiram desbancar a lendária Betty Grable, a mulher que colocou suas pernas no seguro no valor de US$ 1 milhão. Ela foi a pin-up mais famosa da história posando de maiô com um sorriso convidativo, transformou-se na amante imaginária predileta dos soldados. Betty também foi atriz e chegou a protagonizar, em 1944, um filme chamado Pin-up Girl, na qual interpretava uma dançarina.

O sucesso dos cartões e calendários estimulou editores a lançar revistas especializadas, as chamadas girlie magazines. Publicações como Esquire, Yank, Wink, Beauty Parade, Whisper e Eyful exibiam pin-ups vestidas de coristas, marinheiras, enfermeiras e outros uniformes-fetiches, sejam desenhadas ou fotografadas. Embora as mais célebres sejam as garotas de papel, alguns fotógrafos dispensavam os retoques da pintura e publicavam suas pin-ups em carne e osso.

A Música do Post

Não eram apenas as "pin-ups" que estavam na lista dos soldados como suas preferidas. A música Lili Marlene ou Lili Marllen em alemão foi , sem dúvida, a canção mais popular da 2.ª Guerra Mundial e se tornou o hino extra-oficial dos soldados de infantaria de ambos os lados.Os saudosos soldados eram levados às lágrimas pela voz da, até então, desconhecida cantora Lale Andersen, que se tornou uma estrela internacional. No entanto, a cantora mais famosa a cantar a música foi Marlene Dietrich.

A letra foi originariamente escrita em 1915 na forma de um poema por um soldado alemão da Primeira Guerra chamado Hans Leip. Posteriormente publicado em uma coletânea de sua poesia em 1937, as metáforas e a emoção do poema chamaram a atenção de Norbert Schultze, que o transformou em musica em 1938.

Lili Marlene se tornou uma canção de guerra quando foi transmitida por uma rádio alemã em Belgrado e foi captada pelos soldados alemães do Afrika Korps. Rommel gostou tanto da música que solicitou à Radio Belgrado que a incorporasse em sua programação, no que foi atendido. A canção era tocada às 21:55h todas as noites imediatamente antes do fim das transmissões.

A enorme popularidade da versão alemã induziu a criação de uma apressada versão em inglês escrita pelo compositor britânico Tommie Connor em 1944 e transmitida pela BBC para as tropas aliadas.

Os grandes ilustradores

Muitos nomes fizeram a história das pin-ups, mas alguns ilustradores destacam-se como os mais populares da história das musas de papel.

Alberto Vargas: Peruano, o ilustrador mudou-se para os Estados Unidos em 1916. Vargas era filho de fotógrafo e desenhava para cartazes de teatro de revista e filmes de Hollywood. Ficou famoso por clicar musas como Marilyn Monroe e Ava Gardner. Suas pin-ups são conhecidas como Vargas Girls e foram publicadas, inicialmente, na década de 40, pela revista Esquire. Considerado por muitos colecionadores como o maior ilustrador de pin-ups da história, Vargas morreu em 1982, quando as garotas de papel já tinham perdido o glamour.


Vargas Girl


George Petty: Outro rei das pin-ups, o norte-americano George Petty começou a carreira como fotógrafo. No final da década de 20, abriu um estúdio e começou a criar. Sua primeira pin-up, a Petty Girl, foi inspirada nas figuras da mulher e da filha do artista, e ilustrou a capa da revista Esquire em 1933. Daí para calendários e propagandas foi um pulo. O ilustrador morreu em 1975.


Petty Girl

Gil Elvgren: Considerado injustamente por muito tempo como um artista meramente comercial, hoje o trabalho do norte-americano é exposto em galerias de todo o mundo. Gil Elvgren começou a ilustrar pin-ups na década de 1930 e só parou 40 anos depois. A fama de comercial deve-se ao fato de que a maioria de seus desenhos eram criados para ilustrar campanhas publicitárias, como as propagandas da Coca-Cola. As pin-ups de Elvgren ilustravam principalmente calendários. O artista morreu em 1980.



Elvgren Girl


Hajime Sorayama: O artista japonês é considerado o grande gênio da ilustração da atualidade. Graças às suas pin-ups futuristas, as divas de papel foram ressuscitadas. Por sua criatividade e pelos traços ousados, Sorayama é comparado a Alberto Vargas. Misturando realidade e ficção, o ilustrador criou, em 1979, o termo Sexy Robot, referindo-se às mulheres-robôs sensualíssimas que serviram de inspiração para muitos quadrinistas contemporâneos. Entre outros trabalhos, Sorayama desenha para a revista masculina Penthouse.


Soroyama Girl



rabiscado por ana_pe - 09:05:30 -
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domingo, 6 de novembro de 2005
Um Pouco de Henfil


Henrique de Souza Filho ou Henfil nasceu a 05 de fevereiro de 1944, em Ribeirão das Neves - Minas Gerais e morreu no Rio de Janeiro, em 04 de janeiro de 1988, com 43 anos. Era hemofílico e contraiu Aids através de uma transfusão de sangue.

Henfil foi empacotador, boy, cartunista, escritor, cineasta, dramaturgo e jornalista, até especializar-se em ilustração e produção de histórias em quadrinhos. Tornou-se conhecido nacionalmente em 1969, quando passou a colaborar no semanário "Pasquim", lançando em 1970 a revistinha "Os Fradinhos", ou apenas "Fradins".

Antes disso, porém, trabalhou na Revista Alterosa de Belo Horizonte, onde nasceram originalmente "Os Fradinhos". Em 1965, começou a fazer caricatura política para o Diário de Minas, em 1967, fez charges esportivas para o Jornal dos Sports do Rio de Janeiro, colaborando ainda nas revistas Visão, Realidade, Placar e o Cruzeiro. A partir de 1969, fixou-se no semanário Pasquim e Jornal do Brasil.

A produção de histórias em quadrinhos e cartuns de Henfil já possuía então sua marca registrada: um desenho humorístico político, crítico e sátiro, com personagens tipicamente brasileiros.

Henfil destacou-se, também, pela sua participação na política do país, devido ao seu engajamento na resistência contra a ditadura, pela democratização do país, pela anistia aos presos políticos e pelas Diretas Já.

É importante ressaltar o papel exercido por Henfil na história dos quadrinhos brasileiros, seja na renovação do desenho humorístico nacional, seja na criação de personagens típicos brasileiros, como "Os fradinhos", o "Capitão Zeferino", a "Graúna", e "Bode Orelana", entre outros - fazendo um quadrinho da descolonização, em uma época em que isto era exceção, já que a distribuição dos quadrinhos norte-americanos pelo mundo inteiro não dava espaço para o crescimento dos quadrinhos brasileiros.

Henfil mudou esse panorama tendo em vista o seu combativo e alegórico humor gráfico. Fazia da crítica uma arma de resistência e combate ao sistema político do país.

"Se não houver frutos
Valeu a beleza das flores
Se não houver flores
Valeu a sombra das folhas
Se não houver folhas
Valeu a intenção da semente"

HENFIL, do livro Diretas Já



A Merecida Exposição:"Henfil do Brasil"



Quem tem mais de 30 anos atualmente, certamente guarda boas lembranças do cartunista Henfil, que ainda hoje é considerado o mais talentoso cartunista do Brasil, de cujos traços ferinos a injustiça não escapava.

Pois bem, a arte de Henfil ganha a primeira grande retrospectiva de sua obra na Exposição intitulada "Henfil do Brasil". Promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a mostra já passou pelas cidades do Rio e Brasília, e chegou no dia 29 de outubro à unidade paulistana, onde ficará aberta à visitação até o dia 15 de janeiro de 2006.

"Na verdade, esta é a primeira exposição dele deste porte", disse Júlia Peregrino, uma das curadoras da mostra.

A mostra já é um verdadeiro sucesso e foi visitada até agora por mais de 100 mil pessoas.


Em São Paulo, o público terá acesso a mais de 400 desenhos, livros, revistas e impressos, escolhidos cuidadosamente em meio a um acervo de 15 mil originais produzidos por Henfil e mantidos por seu filho, Ivan Cosenza de Souza.

"Por causa da limitação do espaço, foi difícil o processo de seleção", afirma Júlia.

Ela levou cerca de três meses na árdua tarefa de escolher trabalhos significativos do cartunista e ser coerente com uma exposição que se propõe retrospectiva. Contou com a colaboração do próprio Ivan e do crítico de arte Paulo Sérgio Duarte, que assina também a curadoria.

Segundo Júlia, criou-se dois critérios no momento da seleção: um deles diz respeito ao humor, à piada em si, enquanto outro resvala sobre o traço do artista. Queriam identificar e priorizar os desenhos que se mantinham atuais, como ocorre com grande parte da obra do cartunista.

Atrairiam assim para a exposição não só contemporâneos de Henfil, mas também gerações mais novas. "Uma das dificuldades que tivemos foi com relação às datas. Os trabalhos não tinham datas nem apresentavam referência de tempo", disse. Para facilitar a vida dos visitantes a exposição foi dividida em 6 blocos.

Um bloco foi reservado à Turma da Caatinga, composta pelos personagens Capitão Zeferino, Bode Orelana, Graúna, Onça Glorinha e Grauninha, que personificavam críticas contra a censura, a corrupção, o machismo e a desigualdade social. Outro bloco vem dedicado aos Fradinhos: os sarcásticos Cumprido e o Baixim. Um outro bloco agrupa os desenhos do personagem Ubaldo, o Paranóico, criado em 1975.

O tema Outros Personagens compõe o quarto bloco, dedicado aos personagens presentes nas páginas de esporte, como o Urubu, Bacalhau, Cri-cri e Gato Pingado, O Preto que Ri, Delegado Flores, Zilda-Lib, Ovídio e Tamanduá. Há ainda um bloco dedicado a Outros Desenhos e um último, aos cartuns do Orelhão. "São 170 trabalhos espalhados pelas paredes e o restante pode ser manuseado pelo visitante em 12 álbuns."

Para a curadora Júlia Peregrino, ainda hoje, os especialistas em arte não dão o devido valor à criação dos cartunistas. "Algumas pessoas acham que esse tipo de desenho é uma arte menor, mas é uma manifestação artística como qualquer outra", defende ela. Vide a importância conquistada por nomes como o próprio Henfil (que traçava ácidos registros do cotidiano, de cunho político e, sobretudo, social) e seus contemporâneos e amigos, Chico e Paulo Caruso, Jaguar, Ziraldo, entre outros.

Catálogo

Os cartunistas Jaguar e Ziraldo, aliás, deixaram suas impressões sobre o amigo Henfil no catálogo da mostra, um livro de capa-dura que será vendido a R$ 45. Nele, escreveu também o caricaturista e pesquisador Cássio Loredano.

Loredano diz: "A linha do Henfil era a coisa mais utilitária do mundo. O desenho em si é nada, inexiste a não ser como arrimo do recado; é desagradável e magnético a um só tempo. O que normalmente nos afastaria suga-nos o olhar irresistivelmente para dentro da página. E o resultado era a unidade perfeita entre o enredo e o aspecto, resumindo-se o recado final a isto: olhe aqui que feio."

Para maiores informações: fone (011) 3113-3651. Endereço: R. Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo 10h/21h (fecha 2.ª). Grátis. Período : de 29/10/2005 a 15/1/2006.

A Música do Post: Depois de muitas desavenças políticas, Henfil e Elis Regina voltaram às boas, num jantar após uma apresentação do show Falso Brilhante. Elis, chorando, queixou-se dos enterros simbólicos e Henfil deu-se conta de que poderia ter atacado o alvo errado. A partir daí, criou-se forte amizade entre os dois. Elis não titubeou em aderir à campanha pela anistia que Henfil fazia desde fevereiro de 1978 na revista IstoÉ. Em crônicas que eram cartas dirigidas a sua mãe, Henfil pedia permissão das autoridades para a volta ao Brasil de seu irmão Betinho (o sociólogo Herbert de Souza, mais tarde criador da campanha contra a fome). A adesão de Elis à campanha foi representada pela gravação do samba "O Bêbado e a Equilibrista" , de João Bosco e Aldir Blanc, um de seus maiores sucessos.

Fonte:Diário Vermelho
Agência Estadão
Spacca Tutto
Brasileirinho



rabiscado por ana_pe - 09:58:11 -
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segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Drummond, o poeta do século



"Não lamento, na minha carreira intelectual, nada que tenha deixado de fazer. Não fiz muita coisa. Não fiz nada organizado. Não tive um projeto de vida literária. As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do acaso. Não houve nenhuma programação. Não tendo tido nenhuma ambição literária, fui mais poeta pelo desejo e pela necessidade de exprimir sensações e emoções que me perturbavam o espírito e me causavam angústia. Fiz da minha poesia um sofá de analista. É esta a minha definição do meu fazer poético. Não tive a pretensão de ganhar prêmios ou de brilhar pela poesia ou de me comparar com meus colegas poetas. Pelo contrário. Sempre admirei muito os poetas que se afinavam comigo. Mas jamais tive a tentação de me incluir entre eles como um dos tais famosos. Não tive nada a me lamentar. Também não tenho nada do que me gabar. De maneira nenhuma. Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública.

Mas eu acho que chega. Não quero inundar o mundo com minha poesia. Seria uma pretensão exagerada".

"Não serei o poeta de um mundo caduco/ Também não cantarei o mundo futuro/ Estou preso à vida e olho meus companheiros/ Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças" (Mãos dadas - trecho)






Pequena Biografia


Filho de fazendeiros em decadência, Drummond nasceu em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, a 31 de outubro de 1902 e desde muito cedo deu preferência às letras.

Estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do "Diário de Minas", que reunia os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925 por insistência de seus familiares para que obtivesse um diploma.

Em 1925 Drummond casou com Dolores Dutra de Morais. O poeta voltou para Itabira sem interesse pela profissão de farmacêutico e sem conseguir se adaptar à vida de fazendeiro. Em 1928 publica na Revista Antropofagia, de São Paulo, o poema No meio do caminho, que se torna um verdadeiro escândalo literário. No mesmo ano nasce sua filha Maria Julieta. Filha única e sua grande paixão, Maria Julieta seria sua eterna musa. A cumplicidade entre os dois existia no mais singelo olhar e também na vocação. Escritora, Julieta jamais conseguiria destaque, sufocada pelo sobrenome famoso que carregava.

Alguma Poesia, seu primeiro livro, foi editado em 1930. Em 1934 transferiu-se para o Rio de Janeiro e não mais voltou a sua cidade natal.

Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Várias obras foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.

O modernismo no estilo de Drummond levou-o, com sua linguagem em diferentes ritmos, à popularização em um país onde se lê pouco.
No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho ou E agora, José?/ A festa acabou/ a luz apagou/ o povo sumiu são versos que entraram para a História como ditos populares.

A morte, assim como o humor, foi uma constante em sua obra:

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Em 1982 completa 80 anos. São realizadas exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Em 1984 assina contrato com a Editora Record, após 41 anos na José Olympio.

No dia 5 de agosto morre a mulher que mais amou, sua filha Maria Julieta. Desolado, Drummond não resiste. Apenas doze dias depois, em 17 de agosto de 1987, Drummond morre numa clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro, de mãos dadas com Lygia Fernandes, sua namorada com quem manteve um romance paralelo ao casamento e que durou 35 anos .

O poeta mineiro deixou livros inéditos que foram publicados postumamente pela Editora Record: O avesso das coisas (1987), Moça deitada na grama (1987), O amor natural (1982) e Farewell (1996).


Mundo Grande




Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos - voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
Ó vida futura! Nós te criaremos.

Fonte:Memória Viva

Jornal de Poesia



rabiscado por ana_pe - 09:27:17 -
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quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Vinicius de Moraes:"O Poeta da Paixão"



(visite o sítio de Vinicius, clicando na foto)


Pequena Biografia

Vinicius de Moraes foi muito mais que nosso "Poetinha", apelido carinhosamente atribuído a ele. Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes foi compositor, intérprete, escritor, jornalista, advogado, diplomata. Uma pessoa que viveu a vida ao máximo, passou uma metade dela viajando, a outra amando (teve nove casamentos).

Nascido no dia 19 de outubro de 1913, era um apaixonado pelo mundo.Daí suas escolhas profissionais, em todos os sentidos. Obcecado pelo dom de viver, Vinicius sempre procurou fazer aquilo que lhe proporcionasse prazer.

A carreira diplomática começou em 1943, trabalhou como vice-cônsul, entre outros cargos.

Tais atividades só foram interrompidas em 1968, quando foi punido pelo Ato Institucional n.º 5 com aposentadoria compulsória do Itamaraty, depois de 26 anos de (bons) serviços prestados.

O jornalismo e a crítica de cinema foram outras ocupações profissionais.Trabalhou nos jornais Última Hora, A Manhã, Suplemento Literário, O Jornal e na revista Clima, entre outros lugares. Em 1936, ele foi nomeado representante do MEC na censura cinematográfica,onde, nas sessões, apenas dormia e nada censurava. Uma atuação mais animada e engajada viria em 1947, com a fundação da revista Filme, da qual ele participou e manteve contato com diretores famosos como Orson Welles e Walt Disney.

Viajante que era percorreu a Europa em 1952 com o objetivo de estudar a organização dos festivais de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza. Em 1966, foi membro do Júri Internacional de Cannes.

Vinicius era admirado não apenas por sua obra. Antes de poeta, ele foi uma pessoa querida por todos seus companheiros, parceiros e amigos. Um carioca da gema,como podemos definir pelo seu amor à cidade, que pode ser comprovado através dos sonetos e músicas. Nosso poetinha faleceu no Rio de Janeiro em 9 de Julho de 1980, mas seu legado ainda está presente nos corações dos apaixonados. Apaixonados pela vida, acima de tudo.


Vinicius e as Mulheres




"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."


Em todos os casamentos desfeitos a mesma cena se repetia.Ele ia embora praticamente com a roupa do corpo,levando consigo,no entanto, a certeza de que seu coração sempre estaria aberto para paixões novas e avassaladoras.

As mulheres - de vedetes a intelectuais - sempre foram fonte de inspiração máxima da obra de Vinicius de Moraes.

Ele vivia com alegria e com uma intensidade assustadora. Como grande artista que foi, Vinicius fez com que toda a emoção e delicadeza de cada um de seus encontros e desencontros fizessem parte de sua magnífica obra.

Em entrevista concedida à Clarice Lispector, Vinicius de Moraes fala sobre o amor e sobre as mulheres:

C.L.:- Você acaba um caso porque encontra outra mulher ou porque se cansa da primeira?

V.M.- Na minha vida tem sido como se uma mulher me depositasse nos braços de outra. Isso talvez porque esse amor paixão pela sua própria intensidade não tem condições de sobreviver. Isso acho que está expresso com felicidade no dístico final do meu soneto "Fidelidade": "que não seja imortal posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure".


E assim Vinícius falava sobre o amor:


Soneto do Amor Total

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente

Vinícius e seus parceiros



Mais do que parceiros Vinicius colecionou amigos e admiradores de sua obra. Companheiros de boêmia, do cotidiano, de rimas e notas musicais, eles formaram a fina nata da Música Popular Brasileira, junto ao 'Poetinha'. Os principais deles foram:

TOM JOBIM

Em 1955 Vinicius montaria a peça Orfeu da Conceição, com música a cargo de um então jovem pianista: Tom Jobim. Surgia assim uma parceria que se estenderia por toda a vida profissional e pessoal. Uma série de intérpretes gravou composições inesquecíveis da dupla, como Canções do Amor Demais, Luciana, Estrada Branca, Chega de Saudade, Garota de Ipanema, dentre outras. Mais do que ninguém, Tom foi o grande amigo.

CARLOS LYRA

Os dois se conheceram em 1961, ano em que compuseram juntos Você e Eu e Coisa Mais Linda.
Outras composições da dupla são Primeira Namorada, Nada como ter Amor e A Marcha da Quarta-feira de Cinzas.

BADEN POWELL

A parceria com o violonista começou em 1962, ano em que foram compostas as belas Samba da Bênção, Tem Dó, Samba em Prelúdio, Consolação, Canto de Ossanha e Samba de Oxóssi.
Valsa do Amor que não vem, interpretada por Elizeth Cardoso, conseguiu o segundo lugar do I Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior de São Paulo, em 1965.

TOQUINHO

Da intensa parceria iniciada em 1969 surgiu a clássica Tarde em Itapoã.O primeiro disco da dupla foi lançado em 1971, quando os dois passaram a se apresentar em numerosos shows no Brasil e no exterior. Ao todo, foram quase 120 músicas compostas pelos amigos.

Além deles, Vinicius fez parceria com Edu Lobo,Francis Hime,Chico Buarque


" Dizem, na minha família, que eu cantei antes de falar. E havia uma cançãozinha que eu repetia e que tinha um leve tema de sons. Fui criado no mundo da música, minha mãe e minha avó tocavam piano, eu me lembro de como me machucavam aquelas valsas antigas.
Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto." ( Vinicius de Moraes)


Vinicius e a poesia



A obra poética de Vinicius de Moraes é dividida habitualmente em duas fases: uma de sentido místico e lírico, e outra mais sensual e de linguagem mais simples, que ele mostra também nas composições populares. Seu domínio da linguagem culta foi decisivo para conferir qualidade literária à música popular brasileira, enriquecida com suas letras.

Em 1933 lançou seu primeiro livro de poemas. Nessa época já era amigo dos poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. A carreira literária de Vinícius de Morais começou com o livro de poemas O caminho para a distância (1933) que, como Forma e Exegese (1935) e Ariana, a mulher (1936), revela as preocupações místicas e transcendentais do autor, de estilo poético ainda indefinido.

O quarto livro, Novos poemas (1938), também se inclui nessa primeira fase. Dois livros - Cinco elegias (1943) e Poemas, sonetos e baladas (1946) - marcam a transição para uma nova fase, mais voltada para a participação política e social, além da sensualidade. São desse período a Antologia poética (1955), o Livro dos sonetos (1957) e Novos poemas II (1959), que traz o poema "Receita de mulher". Na década de 1960 publicou mais três livros: Procura-se uma rosa, Para viver um grande amor (ambos de 1962) e Para uma menina com uma flor (1966), de crônicas. A arca de Noé (1970) é um livro de poesia para crianças.

Sem dúvida alguma, Vinicius de Moraes foi um grande representante do lirismo amoroso dos nossos tempos. Ele conseguiu exprimir de forma realista o amor existente entre um homem e uma mulher. Após a primeira fase assumiu inteiramente o papel de poeta do amor e do mundo em que vivemos. Os sonetos de Vinícius surpreendem pela capacidade de atualizar a lírica de Camões. O "Soneto da Fidelidade" figura entre os melhores momentos do autor nessa forma. A preocupação política e social se revela em poemas como "Operário em Construção".

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".

O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem e a coragem de enfrentá-lo. Parte dos temas fundamentais: mistério, paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".

A poesia abaixo foi retirada do livro de Sonetos :

Soneto de véspera




Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida.


fonte: Cifra Antiga

Sítio de Vinicius de Moraes



rabiscado por ana_pe - 09:03:21 -
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quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Ao meu Filho



Eu lhe dei a vida ,
mas não posso vivê-la por você .

Eu posso mostrar-lhe caminhos ,
mas não posso estar neles para liderar você .

Eu posso levá-lo à igreja
mas não posso fazer com que tenha fé .

Eu posso mostrar-lhe a diferença entre o certo e o errado,
mas não posso sempre decidir por você .

Eu posso lhe comprar roupas bonitas,
mas não posso fazê-lo bonito por dentro .

Eu posso lhe dar conselho ,
mas não posso segui-lo por você .

Eu posso lhe dar amor ,
mas não posso impô-lo a você .

Eu posso ensiná-lo a compartilhar,
mas não posso fazê-lo generoso .

Eu posso ensinar-lhe o respeito ,
mas não posso forçá-lo a ser respeitoso .

Eu posso aconselhá-lo sobre amigos,
mas não posso escolhê-los por você .

Eu posso alertá-lo sobre sexo seguro,
mas não posso mantê-lo puro .

Eu posso informá-lo sobre álcool e drogas ,
mas não posso dizer "NÃO" por você .

Eu posso falar-lhe sobre o sucesso,
mas não posso alcançá-lo por você .

Eu posso ensiná-lo sobre a gentileza ,
mas não posso forçá-lo a ser gentil .

Eu posso orar por você,
mas não posso impor-lhe Deus .

Eu posso falar-lhe da vida,
mas não posso dar-lhe vida eterna .

Eu posso dar-lhe amor incondicional por toda a minha existência .
... e isso eu farei ....

(Silvia Schmidt)



Em algum lugar do passado nos encontramos
E fizemos um pacto de amor incondicional.
Selamos a nossa vida com flores,
Através de todos os caminhos que trilhamos juntos.

A nossa caminhada não foi em vão.
O perfume das flores e o imenso amor que sentíamos
Nos fez entender que apesar das dificuldades vividas em alguns momentos
O amor sempre esteve e estará presente onde quer que estejamos.

Eu te amo e sinto-me orgulhosa do presente que recebi de Deus: você!

Parabéns!


rabiscado por ana_pe - 08:45:19 -
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quinta-feira, 15 de setembro de 2005

O Poeta e sua Poesia

Hilda Hilst



Visite a "Casa do Sol", clicando aqui


Hilda Hilst não era campineira, mas viveu aqui muito tempo.Na chácara "Casa do Sol", na companhia de livros e de cachorros.

A escritora nasceu em Jaú, estado de São Paulo, em 21 de abril de 1930, filha única de um fazendeiro e poeta vindo da Alsácia-Lorena e de mãe portuguesa.

Estudou em colégio interno na capital paulista, iniciou sua carreira literária em 1950, publicando "Presságio", pela Revista dos Tribunais.

Depois disso, muitos livros vieram. Ao todo, Hilda Hilst deixou 41 livros publicados.

Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de Liguagem, da Unicamp, e é aberto a pesquisadores.


Trajetória

Publicou obras de poesia, ficção e teatro, foi traduzida para o alemão, espanhol, francês, italiano e inglês. Recebeu vários prêmios, o último deles Prêmio Moinho Santista, categoria poesia em 2002.

Seus livros "Com os meus olhos de cão" e "A Obscena Senhora D" mereceram tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Guimarães Rosa para a Editora Gallimard.

Muito bonita na juventude, Hilda Hilst despertou várias paixões. Um dos apaixonados foi o nosso "poetinha" Vinícius de Moraes.

Namorou o ator Dean Martin e casou-se com o escultor Dante Casarini.

Bem conceituada, considerada grande escritora, a poeta resolveu mudar o rumo de sua obra. Começou com o lançamento de "A Obscena Senhora D", uma obra considerada pornográfica.

No ano seguinte ganhou o prêmio Jabuti com Cantares de perda e predileção. Vieram vários livros em seguida, como poemas considerados malditos.

Em 1990, lançou o livro "O Caderno Rosa de Lori Lambry", com ilustrações de Milor Fernandes. Chocou leitores e editores. Foi, na verdade, um grito de escárnio.Como se estivesse se defendendo. E mesmo nessa narrativa de absoluto deboche, ela utilizou palavras de Oscar Wilde como pará-frase:

"Todos nós estamos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas", a que Lory Lamby acrescenta: "E quem olha se fode".

Sua justificativa para a radicalização do seu lado pornográfico era que queria vender mais e conquistar reconhecimento do público.



Prelúdios I -Intensos para os Desmemoriados do Amor



Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha

Fugidia.

E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada

Ilharga

Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza


Sou fã de Hilda Hilst. Uma mulher inquieta, desassossegada, que olhava para o espelho e enxergava a vida através de sua face, transformada pelo tempo ,mestre de sua experiência,mas muito bem guardada dentro do seu coração.Uma mulher diferente, especial que merece o nosso respeito e a nossa homenagem sempre.

A música do post "Quando te Achei" é de autoria de Adoniran Barbosa e Hilda Hilst.Infelizmente encontrei apenas um trecho.



rabiscado por ana_pe - 10:46:29 -
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